Compós 2022 – A relação entre crença e verdade

Geane, Conrado e eu apresentamos um estudo sobre o tema da desinformação na Compós 2022. Trata-se de uma tentativa de interlocução entre matrizes semióticas distintas (Peirce e Greimas) para tratar de um problema comum, que é a desinformação. O trabalho é resultado de pesquisas e debates que estão em andamento no grupo de pesquisa MediaAção.

A RELAÇÃO ENTRE CRENÇA E VERDADE NO CONTEXTO DA DESINFORMAÇÃO: uma leitura comparativa de Peirce e Greimas

Resumo: Abordamos a propagação da desinformação no âmbito da pandemia de covid-19, considerando os efeitos práticos do discurso antivacina. Para compreender a questão, acionamos as concepções de verdade e crença em Charles Peirce e Algirdas Greimas. Do ponto de vista do pragmatismo de Peirce, a verdade apresenta uma propriedade ontológica que se submete à realidade. Assim, cabe à ciência observar esses efeitos e corrigir os rumos das cadeias de semiose, de modo a almejar um ponto de convergência ideal, que é a verdade. Já pela semiótica discursiva de Greimas, a verdade não se caracteriza por seu vínculo ontológico, subordinado à realidade, mas pelo contrato de veridicção que depende, por um lado, do fazer persuasivo do enunciador, ou seja, o fazer-crer, e, do outro, do fazer interpretativo do enunciatário, isto é, o crer. As duas correntes enfatizam que a crença é preponderante nas ações, em detrimento do que se entende como verdade.

Agradecemos aos organizadores do GT de Práticas Interacionais, Linguagens e Produção de Sentido na Comunicação pela oportunidade de debate e pela acolhida calorosa das reflexões propostas neste material.

Publicado em comunicação, conhecimento, pragmatismo, semiotica | Comentários desativados em Compós 2022 – A relação entre crença e verdade

Infografia na prática – Jornalismo

No segundo semestre de 2022, a equipe do projeto “Como ler infográficos” preparou uma entrevista com a profa. Tattiana Teixeira, especialista em infografia e jornalismo.

Trata-se de mais um conteúdo da seção “Infografia na prática”, que debate as interseções entre a infografia e áreas afins, como o jornalismo, o design e a economia.

Publicado em design da informação, visualização | Comentários desativados em Infografia na prática – Jornalismo

Crença, verdade e desinformação

O vídeo acima é parte do curso “Sociedade da Desinformação e Infodemia“, uma iniciativa interdisciplinar e interinstitucional que reuniu pesquidadores da UFMG, UFOP e PUC-Minas em torno do tema da desinformação. O curso, promovido pelo IEAT/UFMG, é resultado de um livro organizado por Geane Alzamora, Conrado Mendes e por mim, a partir das pesquisas realizadas no grupo MediaAção, vinculado ao NucCom da UFMG e coordenado pela profa. Geane.

Neste vídeo “Crença, verdade e desinformação”, eu e Geane debatemos o problema da desinformação a partir do ponto de vista do Pragmatismo de Charles S. Peirce. Para isso, resgatamos o texto “A Fixação da Crença”, bem como apresentamos um panorama do desenvolvimento do pragmatismo.

Agradeço aos colegas que participaram do curso e também à profa. Geane pelo convite para contribuir com essa relevante iniciativa no âmbito da pesquisa em comunicação.

Publicado em comunicação, pragmatismo, semiotica | Comentários desativados em Crença, verdade e desinformação

Semiótica dos diagramas aplicada ao design

Como resultado das pesquisas da Rede CIEP no ano de 2021, as professoras Lucia Santaella e Priscila Borges organizaram um livro chamado “A relevância de C. S. Peirce na atualidade: implicações semióticas“. Tive a honra de colaborar um com artigo para o livro, que reflete parte do meu projeto de pesquisa sobre Semiótica e Design.

Semiótica dos diagramas: Processos de raciocínio visual aplicados ao design

Daniel Melo Ribeiro

RIBEIRO, D. M.. Semiótica dos diagramas: Processos de raciocínio visual aplicados ao design. In: Lucia Santaella; Priscila Borges. (Org.). A Relevância de C. S. Peirce na atualidade: implicações semióticas. 1ed.Barueri, SP: Estação das Letras e Cores Editora, 2021, v. 1, p. 263-278.

Resumo: o objetivo deste artigo é propor uma aproximação entre a teoria semiótica e as práticas do design, tendo como eixo o estudo dos diagramas. Argumentamos que os diagramas são ferramentas fundamentais que auxiliam o designer na solução de problemas, na comunicação de suas ideias e no aprimoramento de seus próprios processos de raciocínio. Para desenvolver esse argumento, invocamos a teoria semiótica desenvolvida pelo filósofo e cientista estadunidense Charles S. Peirce (1839-1914). A semiótica de Peirce propõe mecanismos para compreensão de como o raciocínio pode ser elaborado por meio de signos. Sua teoria trata dos diferentes tipos de raciocínio e da maneira como os pensamentos se concretizam em representações sígnicas. Para demonstrar esse potencial, discutimos como duas tendências contemporâneas do design – o design thinking e o UX Design – incorporam diagramas em suas metodologias. Esperamos, com isso, justificar que a semiótica se apresenta como um relevante fundamento conceitual para orientar as pesquisas na área do design.

Publicado em design da informação, semiotica | Comentários desativados em Semiótica dos diagramas aplicada ao design

Cartografias afetivas

Um dos mapas dos deslocamentos dos vendedores ambulantes na cidade de Belo Horizonte. Fonte: Atlas Ambulante.

RIBEIRO, D. M.. Cartografias afetivas: mapeamentos da experiência do corpo no espaço. In: Sônia Pessoa; Ângela Marques; Carlos Mendonça. (Org.). Afetos: teses e argumentos. 1ed.Belo Horizonte: Fafich/Selo PPGCOM/UFMG, 2021, v. 1, p. 83-104.

Neste estudo, analisamos alguns exemplos de projetos cartográficos que tratam das nossas relações afetivas com o espaço. Argumentamos que a linguagem dos mapas pode ser capaz de traduzir propriedades ligadas aos afetos, atuando como um signo mediador das nossas experiências estéticas e fenomenológicas com os lugares. Assim, nosso objetivo é promover uma interpretação semiótica das cartografias afetivas, tendo  como objeto de estudos experimentos cartográficos alternativos que lidam com o mapeamento de índices ligados às memórias e emoções.

Este estudo é parte da publicação “Afetos: teses e argumentos“, organizada pelos amigos do PPGCOM/UFMG Sônia Pessoal, Ângela Marques e Carlos Mendonça. Agradeço aos organizadores pela oportunidade de contribuir com o livro. O livro está disponível para download gratuito pelo Selo do PPGCOM/UFMG.

Publicado em comunicação, mapa, semiotica | Comentários desativados em Cartografias afetivas

Sociedade da desinformação e infodemia

Sociedade da desinformação e infodemia

ALZAMORA, G.; MENDES, C. ; RIBEIRO, D. M. (Orgs.) . Sociedade da desinformação e infodemia. 1. ed. Belo Horizonte: Fafich/Selo PPGCOM/UFMG, 2021. v. 1. 231p .

Este livro deriva da pesquisa coletiva “A dinâmica transmídia de notícias falsas sobre o novo coronavírus”, efetuada desde março de 2020 em caráter interinstitucional por integrantes de três grupos de pesquisa: a) MediaAção, vinculado ao Núcleo de Conexões Intermídia (UFMG); b) Campo Comunicacional e Suas Interfaces (PUC Minas); e c) Convergência e Jornalismo (UFOP). Inscreve-se também nas atividades do Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (IEAT) da UFMG em 2021, que abriga a formação interinstitucional desta rede de pesquisa. A investigação foi motivada pelo interesse comum em avaliar os desdobramentos comunicacionais que surgiram com a rápida expansão da epidemia de covid-19, tendo em vista o recorte da desinformação. A partir da característica transmidiática do tema, foi possível agregar abordagens complementares, explorando aspectos conceituais do fenômeno da desinformação nas plataformas de comunicação em rede. Esta obra, portanto, é um dos frutos gerados pela pesquisa coletiva realizada pelos referidos grupos, proporcionando matizes variados da análise interdisciplinar sobre essa relevante questão que atravessa os estudos contemporâneos da comunicação.

Agradeço Geane Alzamora e Conrado Mendes pela parceria nesta publicação. Agradeço também a equipe do Selo PPGCOM UFMG pelo apoio. O livro está disponível para download gratuito.

Além da organização do livro, também participei com um dos capítulos, junto com o colega Fabio Amaral. O capítulo se chama “Verdade e crença sob a perspectiva do pragmatismo: contribuições para o debate sobre a desinformação científica“. Nesse capítulo, fazemos uma revisão bibliográfica sobre o problema da desinformação nas plataformas de redes sociais on-line. Em seguida, promovemos uma reflexão dessa questão à luz do pragmatismo de Charles Peirce.

Publicado em comunicação, pragmatismo, sociedade da informação | Comentários desativados em Sociedade da desinformação e infodemia

Análise semiótica de infográficos

Um dos infográficos analisados no projeto “Como ler infográficos?”

No começo de outubro de 2021, participei da 17a. Jornada do Centro Internacional de Estudos Peirceanos (CIEP). Ao lado de grandes especialistas na semiótica de Peirce, apresentei uma reflexão metodológica sobre infográficos, a partir do esforço coletivo desenvolvido em nosso projeto de extensão “Como ler infográficos?”, desenvolvido pela equipe de alunos e pesquisadores da UFMG.

Publicado em design da informação, semiotica, visualização | Comentários desativados em Análise semiótica de infográficos

Aspectos pragmáticos e semióticos da desinformação

Eu, Geane Alzamora e Conrado Mendes – representando o grupo MediaAção da UFMG – apresentamos um resumo das nossas pesquisas sobre desinformação na VI Jornada dos Grupos de pesquisa em Semiótica. O caderno com os trabalhos apresentados está disponível aqui.

O trabalhou procurou trazer dois aportes semióticos para o tema da desinformação, que serão aprofundados em nosso livro “Sociedade da Desinformação e Infodemia” (no prelo). Segue abaixo o resumo que apresentamos.

Aspectos pragmáticos e semióticos da desinformação

Grupo de Pequisa MediaAção/ UFMG

Daniel Melo Ribeiro; Conrado Moreira Mendes; Geane Alzamora

RIBEIRO, D. M.; MENDES, C. ; ALZAMORA, G. . Aspectos pragmáticos e semióticos da desinformação. In: VI Jornada dos Grupos de Pesquisa em Semiótica, 2021. Caderno de resumo da VI Jornada dos Grupos de Pesquisa em Semiótica, 2021. v. 1. p. 61-62.

Este estudo deriva da pesquisa “A dinâmica transmídia de notícias falsas sobre o novo coronavírus”, desenvolvida pelo grupo MediaAção, vinculado ao Núcleo de Conexões Intermídia da UFMG. A investigação foi motivada pelo interesse em avaliar os desdobramentos comunicacionais que surgiram com a rápida expansão da epidemia de covid-19, tendo em vista o recorte da desinformação. A partir de pesquisa exploratória do tema, por meio de coleta de hahstags que ocuparam os trending topics do Twitter no primeiro semestre de 2020, elegemos como recorte empírico de investigação as formas de mediação estabelecidas no Twitter pela hashtag #perguntacorona. A referida hashtag remete ao programa televisivo da Rede Globo “Combate ao Coronavírus”, que foi exibido entre 17 de março de 2020 e 22 maio de 2020. Por meio dessa hashtag, a audiência do programa foi estimulada a publicar perguntas sobre a pandemia nas redes sociais online. No entanto, além de questões relacionadas à pandemia, observamos também que a hashtag foi associada a postagens que promoviam diferentes manifestações de desinformação.

Nesta apresentação, vamos destacar duas abordagens semióticas adotadas pelo grupo MediaAção para compreender essa trama de significados que emerge das postagens associadas à hashtag #perguntacorona, considerando suas implicações nas noções de informação e desinformação. Por um lado, partimos dos conceitos de crença e verdade, advindas do pensamento do filósofo e lógico estadunidense Charles Peirce. Diante dos discursos anticiência que ganharam destaque durante a pandemia de covid-19, levantamos as seguintes questões: por que a veracidade do discurso científico é questionada? O que leva uma parcela da população a desacreditar os argumentos da ciência em favor de outros discursos? De que maneira a ciência se aproxima da verdade? Assim, esta primeira apresentação tem como objetivo abordar os conceitos de verdade e crença no atual debate sobre a ciência e a desinformação. Para isso, vamos nos apoiar nos fundamentos do pragmatismo de Charles Peirce, bem como nas suas considerações sobre os métodos de fixação das crenças. De maneira sintética, o pragmatismo pode ser entendido como um método de elaboração de crenças que guiam a conduta, apontando para o aprimoramento da razão no longo curso do tempo. Assim, acreditamos que as ideias de Peirce sobre a articulação do pensamento deliberado podem esclarecer pontos obscuros sobre as causas da desinformação.

Em outra frente, analisamos parte do corpus relativo às postagens mais compartilhadas com a hashtag #perguntacorona, com base em pressupostos teóricos da semiótica discursiva de A. J. Greimas e da sociossemiótica de E. Landowski. Este segunda apresentação se guia pela seguinte questão: como se efetuam a dinâmica de propagação e a construção de sentido de textos relacionados à hashtag #pergun-
tacorona? Em outras palavras, indagamos: como pensar semioticamente a propagação da desinformação e sua relação com seu termo contrário, a informação? Para isso, as postagens são analisadas quanto à semântica discursiva do percurso gerativo do sentido (temas, figuras e isotopias), verificando-se, em seguida, as recorrências no plano do conteúdo. Depois disso, com base na relação de sentido entre elas, esta apresentação busca compreender as dinâmicas de propagação das postagens. Em seguida, as interações discursivas entre enunciador e enunciatário são examinadas. Com base nesse percurso, a desinformação é situada no quadro da veridicção, como fenômeno ligado às paixões (ao sensível) e, sobretudo, à crença. Finalmente, sustentados por essa análise, delineamos uma abordagem (sócio) semiótica da desinformação.

Embora as apresentações propostas estejam fundamentadas em matrizes semióticas distintas, argumentamos que essas duas frentes de investigação dos fenômenos da desinformação desenvolvidas pelo grupo MediaAção se complementam. Ambas as frentes contribuíram significativamente para o enriquecimento das reflexões em nossa pesquisa, ao trazer um olhar semiótico e pragmático sobre os discursos manifestados no corpus da pesquisa. Os resultados dessa pesquisa, que também envolve outros pesquisadores da UFMG, da PUC-Minas e da UFOP, serão publicados em um livro intitulado “Sociedade da desinformação e infodemia”. Além disso, será ofertado um curso sobre essa temática que integra os programas de pós-graduação da área de comunicação dessas três universidades.Palavras-chave:

Informação; Desinformação; Covid-19; Semiótica; Pragmatismo.

Publicado em comunicação, conhecimento, pragmatismo, semiotica | Comentários desativados em Aspectos pragmáticos e semióticos da desinformação

Reflexões sobre mídias locativas

Tive o prazer de participar do 7. Encontro Regional de Ensino de Geografia e 3. Workshop de Cartografia e Novos letramentos, da UNICAMP. Apresentei o tema Mídias locativas: arte e ativismo no mapeamento da cidade. Discutimos sobre as implicações das mídias móveis com recursos de geolocalização na percepção dos espaços e dos lugares. Agradeço muito o convite da profa. Tânia do Canto pela interlocução.

A apresentação é uma referência a um artigo recentemente publicado na revista Polifonia da UFMT.

Publicado em estéticas tecnológicas, mapa, visualização | Comentários desativados em Reflexões sobre mídias locativas

Expocom Regional 2021

Nosso projeto “Como ler Infográficos” ganhou o prêmio Expocom de melhor projeto de extensão da área de Comunicação da Região Sudeste.

O prêmio Expocom Regional atesta a relevância do tema da infografia para o nosso atual contexto. Concorremos com projetos de extensão da área de Comunicação de outras grandes universidades da região Sudeste, tais como a UFRJ, a UFOP e a UFF. O prêmio é um reconhecimento merecido para a equipe que se dedicou ao projeto, contribuindo para reforçar as atividades de extensão da UFMG.

Publicado em comunicação, design da informação | Comentários desativados em Expocom Regional 2021